Sequência Didática
Verdades e mentiras na construção da História
Discuta com os alunos casos emblemáticos, como as mortes de Tancredo Neves e Wladimir Herzog, bons exemplos sobre a construção do conhecimento histórico
Objetivos
- Entender como se dá a construção do conhecimento histórico
- Refletir sobre o papel do historiador na investigação do passado
- Refletir sobre a análise e investigação de fontes históricas
Conteúdo
A construção do conhecimento histórico na recente história política do Brasil
Anos
Ensino Médio
Tempo estimado
Duas aulas
Material necessário
- Projetor de vídeos para mostrar a cerimônia em que a presidente Dilma
Roussef empossa os membros da Comissão da Verdade (http://blog.planalto.gov.br/video-dilma-instala-a-comissao-da-verdade/)
- Cópias da reportagem "Memórias da sala de cirurgia" (VEJA 2343, 16 de outubro de 2013)
- Cópias da reportagem "Motorista diz que foi subornado a assumir morte de Juscelino"(http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/motorista-cita-suborno-para-assumir-a-morte-de-juscelino)
- Cópias da reportagem "Novos depoimentos reacendem dúvidas sobre morte de Juscelino Kubitschek"(http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-08-15/novo-depoimento-reacende-duvidas-sobre-morte-de-juscelino-kubitschek.html)
- Cópias da reportagem "Peritos preparam exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart" (http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-08-22/peritos-preparam-exumacao-dos-restos-mortais-do-ex-presidente-joao-goulart.html)
- Cópias da reportagem "’Dossiê Jango' traz dúvidas sobre morte de João Goulart" (http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,dossie-jango-traz-duvidas-sobre-morte-de-joao-goulart,1051646,0.htm)
- Cópias do texto "Vladimir Herzog - 30 anos" (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/arquivo01.asp)
- Cópias da reportagem "Entenda o caso Vladimir Herzog" (http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI407607-EI306,00-Entenda+o+caso+Vladimir+Herzog.html)
- Cópias da reportagem "Presidente da CBF pode esclarecer nova hipótese para morte de Vladimir Herzog" (http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-02-21/presidente-da-cbf-pode-esclarecer-nova-hipotese-para-morte-de-vladimir-herzog.html)
- Cópias do texto "Agonia e morte de Tancredo Neves"(http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/agonia_e_morte_de_tancredo_neves)
Introdução
Desde a antiguidade os homens se dedicam a construir o conhecimento
histórico: interpretam e analisam fatos do passado compreendidos dentro
de processos sociais mais amplos. Seria o resultado desse exercício a
"verdade histórica"? Diante de fontes e documentos confiáveis o
historiador pode se sentir seguro sobre a verdade dos fatos? Qual a
importância ou influência da sua investigação e interpretação sobre os
acontecimentos passados?
Os fatos do passado não podem ser reconstituídos exatamente da maneira
como aconteceram. Assim, o historiador precisa recria-los por meio da
interpretação das chamadas fontes históricas: imagens, textos, relatos,
objetos, entre outras. Isso torna as visões sobre a História sujeitas a
mudanças ao longo do tempo, tanto pela mudança do olhar que se tem sobre
essas fontes, como o surgimento de novas.
Utilize acontecimentos da recente história política do Brasil para discutir o tema com seus alunos.
Desenvolvimento
1ª etapa
Apresente o tema das próximas aulas à turma. Explique que o trabalho de um historiador lembra bastante o de um detetive. Para reconstruir um fato, muitas vezes ele conta apenas com indícios ou pistas oferecidas pelas suas fontes. Para construir sua própria versão - a que considera mais próxima da verdade - utiliza-se de métodos científicos e da interdisciplinaridade.
2ª etapa
Pergunte se os alunos conhecem ou já ouviram falar da Comissão Nacional da Verdade, criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012. Se eles não tiverem mais informações sobre o assunto, conte que ela "tem por finalidade apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988", período entre o final do Estado Novo (1937 - 1945) e a implantação de nossa Constituição. Nesse período, a investigação de muitos crimes políticos foi inviabilizada ou manipulada devido ao clima de insegurança e perseguição, característica principalmente do período militar. Nesse momento, exiba para os alunos o vídeo em que a presidente Dilma Rousseff empossa os integrantes dessa comissão.
2ª etapa
Proponha que os alunos reflitam sobre a seguinte questão: é possível manipular a História? Como isso pode acontecer e por quê? Faça a mediação do debate, dando destaque para o uso do conhecimento histórico para privilegiar determinados grupos políticos.
Em seguida, explique à turma que eles estudarão como esse processo pode ter ocorrido durante a ditadura militar e a transição para a democracia. Serão trabalhados 4 casos célebres da nossa recente história: o assassinato em 1975 por tortura do jornalista Vladmir Herzog, dado como suicídio pelo Departamento de Operações de Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI); as mortes dos ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek, ambas em 1976 e que ainda levantam a suspeita de assassinato; e o falecimento de Tancredo Neves em 1985, que causou grande agitação e comoção nacional.
3ª etapa
Organize a turma em 8 grupos de, no máximo, 5 alunos e peça que cada agrupamento se dedique a pesquisar um dos personagens citados anteriormente. Cada personagem deverá ser alvo de pesquisa de dois grupos.
Selecione reportagens sobre cada um dos personagens e as distribua para os alunos (alguma sugestões estão listadas no item Materiais Necessários). Peça que eles preencham o quadro com as informações identificadas nesses textos. Para cada personagem, um grupo preencherá a coluna "Circunstâncias Iniciais identificadas como causa da morte" e o outro completará a coluna "Elementos novos que mudaram a versão inicial dos fatos". Todos devem pesquisar informações básicas para determinar quem é cada personagem pesquisado.
| Personagem histórico | Quem foi? | Circunstâncias iniciais apresentadas como causa da morte | Elementos novos que mudaram a versão inicial dos fatos |
| Vladimir Herzog | |||
| João Goulart | |||
| Juscelino Kubitschek | |||
| Tancredo Neves |
Organize a sala em círculo e peça que eles compartilhem as informações encontradas. Atue questionando-os sobre o que poderia explicar a divergência nas versões apresentadas hoje e se existiriam interesses políticos e ideológicos em jogo. Oriente os alunos de forma que eles atentem para o processo de produção da fonte e sua informação. Ou seja, quem produziu tal documento? Existia interesse na manipulação das informações?
O objetivo da tarefa é levar os alunos a perceber a importância da análise das fontes, sua interpretação e mesmo os elementos que podem mudar os rumos de uma investigação. Dessa forma, uma "verdade" estabelecida inicialmente pode ser questionada e modificada mediante novas fontes e novas perspectivas de análise.
Avaliação
Mediante o preenchimento do quadro, os alunos terão elementos para analisar a forma como a construção do conhecimento histórico é produzida, como um processo analítico e interpretativo de fontes, documentos e depoimentos, entre outros. Cada um dos quatro personagens selecionados (Herzog, Kubitschek, Goulart e Tancredo Neves) teve sua importância na recente história política do país e suas mortes estiveram rodeadas de mistérios e boatos, muitos deles ainda obscuros nos dias de hoje.
Como atividade, solicite aos grupos de alunos que elaborem um texto relacionando o contexto político na época em que esses personagens morreram com a recente história do Brasil. Peça para que respondam a seguinte questão: Por que as mortes de Vladmir Herzog, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Tancredo Neves ainda são consideradas enigmáticas e o que elas nos dizem sobre o período da ditadura militar e da transição para a democracia? E ainda, como o historiador ou um pesquisador em geral deve se comportar mediante a análise de fontes históricas e dos documentos que nos informam sobre fatos históricos?
Avalie se os alunos conseguiram compreender a importância da crítica aos documentos históricos, assim como a interferência do contexto na produção e elaboração das fontes. Um documento, mesmo que oficial, precisa ser criticado e questionado. O papel do historiador na construção do conhecimento histórico não está apenas na reconstituição das fontes, mas principalmente na contraposição de versões divergentes, na comparação e diálogo com as fontes, sejam elas velhas ou novas.
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