Olimpíada com objetivo de desenvolver o gosto dos estudantes pela área das ciências exatas
Os alunos da rede estadual de ensino de
Minas Gerais conquistaram mais um bom resultado no âmbito das
competições do conhecimento. Na última edição da II Olimpíada
Internacional de Matemática Sem Fronteiras, que contou com a
participação de mais de 136 escolas de todo o Brasil, os estudantes
mineiros se despontaram com primeiras colocações, o que rendeu elogios
do diretor da Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC),
Ozimar Pereira, responsável pelas aplicações da prova no país.
Segundo Ozimar, as instituições públicas
mineiras não se destacaram somente pelos resultados alcançados: uma
colocação em 1º lugar, duas colocações em 2º lugar e cinco em 3º lugar.
Mas também pelo empenho dos alunos e educadores em participarem.
“Escolas de municípios longínquos e de regiões carentes de Minas Gerais,
como o Vale do Jequitinhonha, se mostraram muito resolutas e prontas
para esta olimpíada, que reuniu jovens competidores de 30
nacionalidades”.
A Olimpíada Internacional de Matemática
que mede e premia o nível de conhecimento por ano escolar, do 6º ao 9º
ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, foi criada em 1990 pela
Academia de Estrasburgo, na França, com objetivo de desenvolver o gosto
dos estudantes pela área das ciências exatas. O Brasil que vem ampliando
sua participação nas conferências e fóruns internacionais nos últimos
20 anos entrou na competição em 2011 justamente por conta dos
diferenciais nas formas de participação e de avaliação da olimpíada.

Última
edição da II Olimpíada Internacional de Matemática Sem Fronteiras
contou com a participação de mais de 136 escolas de todo o Brasil.Foto:
Rede POC
Segundo o diretor da POC, os alunos se
inscrevem em grupo, e realizam em conjunto as provas na escola onde
estão matriculados. “A Olimpíada Internacional de Matemática prova que
não é preciso que o Joãozinho seja um gênio da matemática para
participar de uma competição de alto nível. Isto porque as competências e
dos alunos competidores se somam durante a resolução da prova, que pode
ter de 9 a 13 questões, conforme o ano escolar do aluno. Os enunciados
são em língua estrangeira, vai do espanhol ao árabe, e as respostas
dissertativas dos cálculos devem ser também redigidas no idioma
estrangeiro escolhido. Por isso, ser um gênio na matemática não basta
nesta olimpíada”.
A aluna da Escola Estadual Raulino
Pacheco, da Zona da Mata mineira, Letícia Lima Marques que levou a
primeira colocação do 9º ano na Olimpíada sentiu este diferencial da
competição. “Fiz a prova com um grupo de aproximadamente 15 pessoas. São
provas mais prazerosas que as escolares, porque pede mais da nossa
parte de raciocínio e lógica. Tem gente que não tem um rendimento tão
bom em matemática na escola, mas neste tipo de olimpíada conseguem
render mais”, observou Letícia.
Por causa das premiações anteriores, a
estudante de 13 anos, já está se tornando uma veterana em competições de
matemática. Nas últimas edições da Olimpíada Brasileira de Matemática
das Escolas Públicas (Obmep), angariou medalhas de bronze, ouro e prata,
e por causa destes resultados ganhou bolsas de iniciação científica na
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Questionada sobre qual o segredo da
escola Raulino Pacheco para figurar frequentemente no ranking das
melhores instituições nas competições de conhecimento, a diretora Márcia
Nicácio, conta que não existem projetos extracurriculares na
instituição. “O que existe é um desejo mútuo de professores e alunos de
se superarem nestes desafios que propomos a viver. Os professores
intensificam os exercícios e os alunos respondem bem a esta demanda”,
observou a diretora, que julga ser saudável este tipo de concorrência
que estimula o desempenho.
A estudante multipremiada Letícia
Marques revelou que não raro “costuma procurar exercícios mais
elaborados na internet para treinar”.
Este ano a Olimpíada Internacional de Matemática registrou a participação de 14 estados brasileiros, e aproximadamente 27 mil alunos organizados em 900 classes de trabalho se aventuraram nos desafios das avaliações.
Este ano a Olimpíada Internacional de Matemática registrou a participação de 14 estados brasileiros, e aproximadamente 27 mil alunos organizados em 900 classes de trabalho se aventuraram nos desafios das avaliações.
A correção das provas dos grupos é feita
regionalmente pelas escolas nas quais os alunos competidores estão
matriculados, e as que têm maior desempenho são enviadas para a
Universidade Metodista de São Paulo, que faz a última correção das
provas, á nível nacional.
Para as próximas edições a Rede POC
estuda uma forma de melhorar a divulgação da Olimpíada no próximo ano, e
melhorar a pré-seleção das provas junto ás escolas de todo o Brasil.